Desembolso para cobrir custo das termelétricas já é o dobro do previsto

18/08/2013 - 02h00


JULIA BORBA
DE BRASÍLIA


O uso contínuo de energia das termelétricas gerou um gasto bilionário para o governo. O valor desembolsado até junho pode chegar ao dobro do previsto para o ano.
O pagamento dessa energia, mais cara e mais poluente, somava até junho R$ 3,9 bilhões, segundo a Eletrobras. Em maio, o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) estimou em R$ 2 bilhões o gasto até o fim do ano.
A despesa será repassada aos consumidores, ao longo de cinco anos. Segundo o ministro, trará um aumento máximo de 3% na tarifa.
Apesar de o relatório de gastos ser contabilizado pela Eletrobras, o ministério contesta os valores. Em nota, técnicos argumentam que outras despesas foram incluídas. O valor efetivo despendido foi de R$ 3 bilhões.
Ainda assim, há um aumento em relação aos últimos anos. No ano passado, as térmicas custaram R$ 1,7 bilhão, de acordo com a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). Em 2010 e em 2011, foram R$ 670 milhões e R$ 6,1 milhões, respectivamente.
As termelétricas funcionam como um estoque de emergência de eletricidade. Se os reservatórios das hidrelétricas estão com nível baixo de água, o governo autoriza o uso das térmicas (movidas a gás, óleo e carvão) para garantir o abastecimento.
Desde o fim do ano passado, as térmicas vêm sendo mais usadas e por mais tempo. Os recursos para evitar que isso bata diretamente no bolso do consumidor saem da CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), uma espécie de fundo que banca, por exemplo, o programa Luz Para Todos. O Tesouro tem injetado dinheiro na conta.
No início de julho, o saldo da CDE estava em apenas R$ 371,2 milhões. Foram repassados R$ 4,9 bilhões vindos de outro fundo do setor elétrico (RGR -Reserva Global de Reversão). Na semana passada, o Tesouro realizou um terceiro repasse. Já foram injetados R$ 2 bilhões.

Símbolo do ciclo do ouro no país, Ouro Preto preserva arquitetura rica e sacra

Renata Gama
Do UOL, em Ouro Preto
Ouro Preto é dourada e sombria. Sacra e cruel. Ser símbolo do auge do ciclo do ouro no Brasil significa ostentar um conjunto arquitetônico colonial digno de uma cidade considerada Monumento Nacional e Patrimônio Cultural da Humanidade, pela Unesco. Mas também envolve carregar em suas ladeiras calçadas de pedra o peso de ter sido palco de dolorosos sacrifícios, mortes e escravidão.
O pré-requisito para apreciar Ouro Preto é curtir arquitetura e história. O principal ponto de referência turística da antiga Vila Rica, que já foi a próspera capital da província e do Estado de Minas Gerais, é a Praça Tiradentes. O lugar leva esse nome não apenas para homenagear o mártir da Inconfidência Mineira, mas porque foi onde sua cabeça ficou exposta para dar exemplo aos traidores da coroa portuguesa, por lutarem pela independência. No local há hoje um monumento ao mártir.
No ponto mais alto da praça, no antigo e imponente prédio da Câmara e Cadeia, fica o Museu da Inconfidência, onde estão preservadas as peças usadas na forca de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, bem como sua sentença de morte por enforcamento, esquartejamento e confisco de seus bens e de sua família por três gerações. Ali também estão os restos mortais de outros inconfidentes, como o escritor Tomás Antonio Gonzaga.
A visita ao museu emociona pela história e pela beleza do acervo. E é primordial passar por ele para entender Ouro Preto e sua importância no Estado e no país. Mas o registro de tê-lo visitado fica apenas na memória, pois não é permitido fotografar. No andar superior do museu, um acervo de arte sacra com ricos exemplares de peças do período barroco, entre elas, esculturas de Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.
Este segundo nome também acompanha os turistas que visitam Ouro Preto. Ao lado do museu, na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, com decoração estilo rococó e arcos em talha dourada, há algumas peças de sua autoria. O tour pelas igrejas da cidade mostra também um passeio pela sua obra.
Talvez a mais significativa nesse sentido seja a Igreja de São Francisco de Assis, a mais famosa da cidade.  Exemplar do barroco mineiro de construção iniciada em 1766, o templo tem o projeto assinado por Aleijadinho. São também dele as esculturas da portada e dos púlpitos. Ao visitá-la, aproveite para conhecer a feirinha de artesanato em pedra-sabão, que fica em frente, no Largo do Coimbra.
Outro santuário importante para conhecer a obra de Aleijadinho é a Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, que tem em anexo um museu dedicado à sua obra. Mas o templo está fechado desde fevereiro de 2013 por risco de desabamento e passa por obras emergenciais. O exemplar histórico teve projeto e execução a cargo de Manuel Francisco Lisboa, pai do escultor Aleijadinho. Ambos estão enterrados na igreja.
O passeio pelas igrejas de Ouro Preto não fica completo sem a visita à segunda matriz da cidade, a de Nossa Senhora do Pilar.  O exemplar é o mais rico em ouro do conjunto arquitetônico. Na cripta da igreja, há um museu de arte sacra.
E, por falar em ouro, as minas da região são outro atrativo. Chico Rei, Fonte Meu Bem Querer e Velha ficam próximas do centro histórico, mas a que rende o passeio mais interessante é a Mina da Passagem, na cidade vizinha de Mariana. Aproveite e vá de trem maria-fumaça.
       Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, em Ouro Preto

Coreia do Norte aceita diálogo para visitas de famílias separadas

18/08/2013 - 08h13
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

A Coreia do Norte aceitou neste domingo negociar com o Sul a volta das visitas das famílias separadas pela guerra na Península Coreana, em mais um sinal da retomada do diálogo entre Seul e Pyongyang. Na semana passada, os dois países concordaram com a reabertura do complexo industrial de Kaesong.
A informação foi divulgada pelo Comitê de Reunificação norte-coreano, órgão do país comunista responsável pela negociação com Seul. A intenção é fazer uma reunião na próxima sexta (23) em Panmunjon, vila de trégua na zona desmilitarizada que divide as Coreias.
Os encontros entre as famílias reuniam cerca de 22 mil coreanos que tiveram suas famílias separadas pela Guerra da Coreia (1950-1953) e começaram no ano 2000. A iniciativa foi interrompida unilateralmente pelos norte-coreanos em 2010.
A intenção de Pyongyang é promover o encontro na região turística do monte Kumgang, que era operada de forma conjunta entre os dois países. O país comunista também deseja a volta dos passeios de turistas à região, suspensos em 2008 quando uma mulher sul-coreana foi morta por um soldado norte-coreano.
Segundo analistas, a abertura norte-coreana às iniciativas de unificação é uma forma de aumentar a fonte de renda de Pyongyang, afetada pelo fechamento do complexo industrial de Kaesong e o aumento das sanções da ONU em março.
As 123 fábricas que fazem parte da área industrial forneceram US$ 480 milhões (R$ 1,09 bilhão) à Coreia do Norte no ano passado e foram fechadas há quatro meses, em meio à tensão causada pelas medidas contra o lançamento de um foguete em dezembro e um teste nuclear em fevereiro.
EXERCÍCIOS
As reuniões para a retomada das relações acontecem em meio a uma nova série de exercícios militares entre Estados Unidos e Coreia do Sul, que começam nesta segunda (19). A última atividade conjunta entre os dois países foi um dos motivos da tensão com Pyongyang em março.
Os exercícios durarão 12 dias e terão a participação de 50 mil soldados sul-coreanos e 30 mil americanos, com o intuito de avaliar a capacidade dos dois Exércitos de garantir a segurança na Península Coreana. A Coreia do Norte ainda não comentou sobre a atividade.

Sobre Itaipu, Cartes fará 'o que for benéfico' ao Paraguai

17/08/2013 - 03h15


ISABEL FLECK
ENVIADA ESPECIAL A ASSUNÇÃO


Apesar do discurso conciliador com o Brasil, Horacio Cartes disse que fará "tudo o que for benéfico para o Paraguai" em relação à usina binacional de Itaipu.
Assim, deixa abertas as portas para tentar renegociar a dívida da usina e até para discutir a venda da energia excedente do Paraguai a um terceiro país.

"Tenho a obrigação de administrar da melhor maneira os bens do Paraguai, tudo o que seja benéfico ao Paraguai é minha obrigação fazê-lo".
Ele disse, porém, que as discussões devem ser feitas num ambiente de "respeito, prudência e seriedade".
Para o novo diretor paraguaio da usina, James Spalding, "nada deve ser retirado da mesa de negociação".
"O tratado estabelece que cada país é dono da metade da produção [de energia], e o que não se consome se vende a outro país. Temos que ver se existe vontade politica do Brasil para ver como isso pode ir melhorando", disse.
Ele disse que vai "considerar todos os capítulos" do relatório sobre a usina que está sendo elaborado pelo economista Jeffrey Sachs, a pedido do governo anterior.
Em relatório preliminar neste ano, Sachs disse que a dívida paraguaia com Itaipu já estaria paga. Pelo tratado, o cronograma do pagamento termina em 2023.
"Quem sabe haja formas de adiantar o pagamento da dívida, talvez com juros menores", disse Spalding.
O diretor brasileiro de Itaipu, Jorge Samek, contesta o relatório de Sachs "do título à última linha". "O Paraguai não pôs dinheiro em Itaipu, foram feitos empréstimos, que são pagos pelos consumidores de energia --dos quais, em 2012, 91% eram brasileiros."
A dívida do país sobre a usina é de cerca de US$ 13 bilhões e deveria ser paga até 2023, 50 anos após assinado o tratado. Sachs diz que, por anos, a dívida teria crescido, e deveria ser revista.

Castelo 'de contos de fadas' na Baviera inspirou parques da Disney

17/08/2013 08h00 - Atualizado em 17/08/2013 08h00

Antigo refúgio para rei recluso recebe hoje 1,4 milhão de turistas ao ano.
Ele foi modelo para o Castelo da Bela Adormecida em parques temáticos.

Do G1, em São Paulo

A região da Baviera, na Alemanha, tem um castelo que parece saído dos contos de fadas. Construído no século 19 pelo rei Luís II com a intenção de imitar os antigos palácios medievais alemães, o Castelo de Neuschwanstein serviu de inspiração para o "Castelo da Bela Adormecida" dos parques da Disney.
O Neuschwanstein servia de refúgio para o tímido monarca, que foi para lá com a intenção de se esconder da vida pública. Atualmente, recebe 1,4 milhão de turistas por ano – no verão, são cerca de 6 mil visitantes por dia.
Tecnologia
Apesar de sua aparência medieval, o castelo foi erguido com a tecnologia mais moderna da época. O edifício tinha aquecimento central, sistema automático de descarga nas privadas, telefones em dois andares diferentes, campainha elétrica para chamar os criados e um elevador para carregar a comida para os andares mais altos. Durante todo o tempo em que Luís II morou lá, o castelo permaneceu em construção. A pedra fundamental foi lançada em 1869 e a primeira parte só foi concluída em 1872. Nesse ano começou a ser erguida a área residencial do castelo, mas a decoração só foi completada em 1884.

O “grande hall do trono” foi incorporado posteriormente, e o segundo dos quatro andares do edifício nunca foi concluído – hoje, ele abriga uma cafeteria, uma loja e uma sala multimídia. Devido à instabilidade do terreno onde o castelo se localiza, suas fundações têm que ser constantemente monitoradas para garantir a segurança dos turistas.
O clima da região também acaba danificando as fachadas de calcário, que serão renovadas nos próximos anos.
Um reino para chamar de seu
Segundo os administradores atuais da atração, a explicação para a construção do palácio vai além da personalidade arredia e extravagante do rei. Descontente por haver perdido sua soberania após ser derrotado em uma guerra, ele teria planejado o lugar para ter novamente seu próprio reino, onde poderia ser um rei de verdade. Fã e patrono do compositor Richard Wagner, Luís II dedicou o castelo a ele. O local foi aberto ao público sete semanas depois da morte do monarca, em 1886. O Neuschwanstein fica em uma área próxima à cidade de Schwangau, localizada a 120 quilômetros de Munique.

Neuschwanstein, na Baviera, que parece um castelo de contos de fadas (Foto: Michael Dalder/Reuters)

Orçamento de 2014 prevê R$ 267 milhões para projeto do trem-bala

16/08/2013 13h55 - Atualizado em 16/08/2013 15h27

Ministro negou que custo do projeto possa chegar a R$ 900 milhões.
Governo adiou leilão do trem-bala, previsto para setembro.

Fábio Amato
Do G1, em Brasília
O ministro dos Transportes, César Borges, disse nesta sexta-feira (16) que o Orçamento do governo federal para 2014 prevê o gasto de R$ 267 milhões para investimento no projeto executivo do primeiro trem-bala brasileiro, que deve ligar as cidades de Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, e cujo leilão, marcado para setembro, foi adiado nesta semana pelo governo por tempo indeterminado.Em entrevista concedida a jornalistas em Brasília, Borges negou a informação, publicada nesta sexta pelo jornal “O Globo”, de que, mesmo sem sair do papel, o trem-bala deve custar aos cofres públicos pelo menos R$ 1 bilhão até o fim do governo da presidente Dilma Rousseff, sendo R$ 900 milhões com a preparação do projeto executivo. Segundo o jornal, a informação foi dada pelo presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo, resposável pelo trem-bala.
“Não haverá este gasto [de R$ 900 milhões com o projeto executivo], posso afirmar a vocês. Se eventualmente tiver necessidade de mais ou não [do que os R$ 267 milhões previstos no Orçamento], vamos avaliar. Mas nunca chegaremos a esse número [de R$ 900 milhões], posso afiançar a vocês”, disse o ministro.

De acordo com Borges, o número informado pelo presidente da EPL ao “O Globo” é “apenas uma estimativa com base no valor do projeto.” Ele não soube dizer qual é a real expectativa do governo para o custo do projeto executivo, mas apontou que há “uma determinação política” para que ele não ultrapasse os R$ 267 milhões.

Borges voltou a dizer que o governo não desistiu de leiloar o primeiro trem-bala brasileiro. Nesta semana, o ministro anunciou mais um adiamento da primeira licitação, para contratar a empresa que forneceria a tecnologia e seria a operadora do veículo, marcada para setembro.

“O governo adiou o projeto mas não abriu mão dele. O projeto vai andar. Não tenho dúvida de que o Brasil tem necessidade e vai ter o trem-bala nesse eixo Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro”, disse.

Custo
A estimativa da EPL é que o custo total do projeto do trem de alta velocidade (TAV) fique em R$ 35,637 bilhões. Esses gastos, no entanto, incluem a primeira etapa da licitação do empreendimento, relacionada à compra de trens, vagões e serviços complementares, a um custo de R$ 8,7 bilhões – fase que inclui a contração da empresa que será responsável por implementar a tecnologia do trem de alta velocidade e operar o serviço pelo prazo de concessão de 40 anos – e as obras de construção civil, que deverão consumir R$ 26,9 bilhões.

Epagri confirma ocorrência de neve em várias cidades catarinenses

14/08/2013 13h06 - Atualizado em 14/08/2013 13h06

Epagri/Ciram confirma queda em Urubici, São Joaquim e Água Doce.
Em Bom Jardim da Serra e Urupema também foi registrado o fenômeno.

Do G1 SC

A Epagri/Ciran confirmou a queda de neve em cinco cidades de Santa Catarina nesta quarta-feira (14): Água Doce, Bom Jardim da Serra, Urubici, Urupema e São Joaquim. Em São Joaquim, na Serra, o fenômeno foi registrado por cinco minutos nesta manhã.
A neve começou a cair por volta de 7h17 da manhã e segundo o meteorologista Leandro Puchalski, segue a previsão de queda para o decorrer do dia entre as regiões da Serra, Meio-Oeste e Oeste, nas cidades mais altas do estado. "É importante destacar que os dados atualizados da madrugada indicam que em algumas cidades a neve poderá até acumular", explica.
Em Urubici, também na Serra, a neve caiu em cinco localidades do município. No Morro da Igreja, um dos pontos mais altos do estado e situado na divisa com Bom Jardim da Serra, a neve foi registrada ainda durante a madrugada. De acordo com a Secretaria de Turismo de Urubici, muitos turistas foram até o local para ver e  o fenômeno. No amanhecer desta quarta (14), a sensação térmica  chegou a -13ºC em São Joaquim. Na cidade da Grande Florianópolis, Rancho Queimado, a sensação ficou em -12°C.
Neve histórica em Santa Catarina
O fenômeno da queda de neve desta manhã é o segundo registrado em Santa Catarina no Inverno de 2013. Entre os dias 22 e 25 de julho, 113 municípios registraram a neve, segundo dados da Epagri/Ciram. Municípios do Oeste, da Serra, do Vale do Itajaí e da Grande Florianópolis estavam na lista.

O meteorologista Marcelo Martins disse que o fenômeno pode ser considerado histórico pela espacialidade e abrangência. A região do Morro do Cambirela, situada no município de Palhoça, na Grande Florianópolis, amanheceu coberta de neve no dia 23 de julho. Muitas cidades do estado não registravam a ocorrência de neve há muitos invernos. No Vale do Itajaí, por exemplo, o fenômeno não era visto há 13 anos. No Morro do Cambirela, a última neve registrada foi em 1984.